[PORTUGAL] Encontros dos bardinhos. Culturas e Dissídios

Fecha: 
16/02/2019 - 15:00 to 17/02/2019 - 21:00
Ciudad: 
Quinta dos Bardinhos, entre Portalegre e Castelo de Vide
Lugar: 
Portalegre

ENCONTROS DOS BARDINHOS

Culturas e Dissídios

Nono encontro: 16 e 17 de Fevereiro de 2019

Organização de Joëlle Ghazarian

Local: Quinta dos Bardinhos, entre Portalegre e Castelo de Vide Contactos: 245 203 555 ou 967 971 609

   Como chegar

Vindo de Portalegre, seguir em direcção de Castelo de Vide. Atravessar a aldeia de VARGEM, continuar mais uns 2 km, ao longo de uma recta, até ao Café Fonte do Sapo, situado à direita (toldo branco exterior). Logo a seguir, cortar à esquerda, seguindo a direcção de FORTIOS. Um quilómetro e meio depois, é a primeira casa à direita, ao fundo do terreno. A meio, dorme uma caravana velha, branca, sob um carvalho. Abrir o portão verde enferrujado, com duas discretas iniciais cabalísticas, AD, que significam, traduzidas, «amanhã dormimos».

Vindo do lado de Castelo de Vide, tomar a direcção de Portalegre. Uns 10 km após o cruzamento que indica o rumo de Portalegre, cortar à direita, no primeiro aglomerado de casas, junto a um painel de correio, seguindo o rumo de FORTIOS. Um quilómetro e meio depois, é a primeira casa à direita, ao fundo do terreno. Idem.

     SÁBADO 16

15H00 - GESTÃO DEMOCRÁTICA DO COLAPSO NO CAPITALISMO TERMINAL?

  Por Corsino Vela

Iremos abordar a noção de implosão na estrutura da sociedade capitalista e, em particular, os traços que a caracterizam e as suas implicações na contestação política, ou seja, os limites da política como representação (colapso da democracia, dos partidos, das ideologias de esquerda, etc.) e do Estado-providência. Os propósitos de recons- trução da esquerda limitam-se a repetir uma enésima versão da social-democracia e, como ela, esta nova esquerda mostra-se totalmente impotente como gestora dos proble- mas reais da sociedade capitalista (crise económica sisté- mica, depauperação maciça, destruição e guerras, migrações, devastação da biosfera). Esta situação impele-nos a um esforço premente de compreensão prática do mundo em que sobrevivemos, ou seja, a averiguar as eventuais tendências que a partir da resistência social que ocorre na vida quotidiana e nas actuais mobilizações de um grande número de pessoas apontem para além da lógica económica (Estado-providência) e das instituições dominantes.

l CORSINO VELA (1953). De família operária, fez estudos universitários e exerceu empregos na indústria e em diversos trabalhos ocasionais. Durante os seus últimos vinte anos de vida laboral foi redactor independente para revistas técnicas. A sua implicação na actividade política, desde o início da década de 1970, esteve sempre vinculada a organizações de base de trabalhadores bem como a colectivos do âmbito libertário, sem ter pertencido a qualquer partido ou sindicato. É autor de La sociedad implosiva (Muturreko, 2015) e de Capitalismo terminal (Traficantes de sueños, Madrid, 2018). Do primeiro livro foram traduzidos e publicados excertos na revista Flauta de Luz, nº 4, do segundo será traduzido o último capítulo na mesma revista.

11800 – Interlúdio surpresa 19h00 – Jantar partilhado

21h30 – O GRUPO SURREALISTA DE MADRID E AS SUAS ACTIVIDADES MULTIFORMES

  Por Eugenio Castro e Jose Manuel Rojo,

com apresentação de António Cândido Franco

O Grupo Surrealista de Madrid pretende manter viva uma linha de pensamento, acção, experimentação e luta iniciada em Paris no início do século XX. Inspirando-se nessa linha, intervém na realidade actual com o propósito de minar os pilares que sustêm esta realidade: os do capitalismo industrial, estendidos a toda a actividade e inactividade humana – que resistem a caucioná-lo e a contribuir para o seu desenvolvimento.

EUGENIO CASTRO é membro do movimento surrealista desde 1979. Foi co-fundador do Grupo Surrealista de Madrid, em 1986, quando teve início a revista Salamandra, e também da editorial deste grupo, Ediciones de la Torre Magnética, em 1995, bem como de ¿Que hay de nuevo?, jornal surrealista de contra-informação (Madrid, 1993-1998) e de El Rapto – Observatorio del sonambulismo contemporáneo (Madrid, 2007-2012). É membro do Ateneo Cooperativo Autogestionado NOSALTRES, de Madrid. Traduziu, nomeadamente, Benjamin Péret, Joyce Mansour, Guillaume Apollinaire, Ernesto Sampaio, António José Forte. É autor de livros de poesia escrita, de ensaio e de collages. Tem participado na coordenação de livros colectivos e colabora nas publicações de alguns dos grupos surrealistas de diversas partes do mundo: S.U.R.R. (Paris), Analogon (Praga), Stora Saltet (Estocolmo), Farfoulas (Atenas), Brumes Blondes (Amesterdão), Boletim Surrealista Internacional (Estocolmo e Paris) ou no projecto do Grupo Surrealista de Leeds, Surrealists Go to the Cinema.

 JOSÉ MANUEL ROJO – Crítico crónico, psicogeógrafo negro, materialista poético. É membro do Grupo Surrealista de Madrid desde 1987, colaborando em todos os seus projectos e publicações. Apaixonado pela utopia, pela poesia por outros meios e pelo maravilhoso, os seus textos e ensaios abordam a crítica da economia, da sociedade industrial e do espectáculo, prestando especial atenção à devastação que exercem sobre o inconsciente e o imaginário, bem como à capacidade de resistência e reinvenção destes últimos. Tem colaborado com editoras e revistas afins, tais como Traficantes de sueños, Pepitas de Calabaza, La Felguera, Enclave de Libros, Amano, Engranajes, Artefacto ou Caravansai. Quanto à sua sobrevivência civil, é professor de História no ensino secundário, prostituição tão vergonhosa e ridícula como qualquer outra, que desempenha sem qualquer ilusão e com os remorsos estritamente necessários. Quanto ao resto, dedicou a sua existência à liquidação social e ao triunfo da vida verdadeira, mas ignora se chegará a presenciar a Grande Tarde e se, nesse caso, estaria à altura das circunstâncias.

DOMINGO 17

12H00 – DA HABITAÇÃO EM PORTUGAL

Por Maria João Berhan

A associação Habita lida com inúmeros problemas relacionados com a habitação, desde a precariedade absoluta, sem quais- quer apoios, à escassez e degradação da habitação social (sabendo-se que há cerca de dois milhões de pobres e apenas 120 mil fogos de habitação social, é fácil ver que nem metade dos pobres conseguirão ser alojados desse modo), passando pelo racismo que atinge as comunidades ciga- nas obrigadas a um nomadismo forçado ou as comunidades de negros expulsos para as ultraperiferias quando as peri- ferias se tornam mais apetecíveis.

MARIA JOÃO BERHAN, activista pelo direito à habitação, é membro da associação HABITA, em Lisboa. Passou por várias actividades profissionais, de enfermeira de saúde pública a arquitecta, incluindo investigação em saúde. É mãe de um jovem de 30 anos e filha de uma senhora de 85 primaveras.

13h30 – Almoço partilhado

15H30 – A REVISTA DE CULTURA LIBERTÁRIA A IDEIA

Por António Cândido Franco

Apresentação do mais recente número d’A Ideia (Outono de 2018, 320 páginas) pelo seu director e editor. No vasto sumário deste nú- mero, A Ideia continua a prestar uma grande atenção ao surrealismo, sendo de destacar aqui a extensa (e primeira) entrevista que uma publicação portuguesa faz ao Grupo Surrealista de Madrid, pois se trata de «um dos grupos surrealistas mundiais mais criativos» e «não se percebe como estando aqui tão perto pouco ou nada dele se sabe». A revista continua também a dedicar um espaço nobre à figura e à obra de Agostinho da Silva, incluindo, em suplemento, a tradução inédita de Eutífrone, de Platão, pelo insubmisso mestre. Uma outra parte notável deste número é dedicada às repercussões da grande sublevação de Maio de 68 – continuando muitos outros assuntos a fazer desta revista um celebrado ponto de encontro.

ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO, assíduo participante nos Encontros dos Bardinhos, é escritor e investigador, dedicando uma boa parte do seu labor às relações do surrealismo com as ideias libertárias.

 

 

 

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